segunda-feira, 21 de maio de 2018

Da vida

Aprendi com a minha filha
a parar
olhar para o chão
enxergar as coisas pequenas
as miudezas da vida

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

tem sempre o outro além dos teus olhos

domingo, 16 de julho de 2017

Ah, o dia

Não adia o dia
busca
corre
vive
sintassumpção
sai

o som da máquina
provoca
o não conhecimento
do profundo

das orquídeas que ele caçou
e disfarçou
em tom
de som

como escutar teu coração?

a materialidade da espiritualidade
disse ela

o canto das sereias
que choravam o seu despertar

fio desencapado

quem cuida da vida alheia
da sua não pode cuidar

teu samba reprimido
que comeu
e depois cuspiu disforme

chorei a tua volta
nessa manhã de um dia que não adio

vou sair a dançar tuas peripécias
a arte não pode parar



terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Ser pó (Parte II)

Sou feito pó,
quando me tocam
Me espalho no ar

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Autocuidado

Uma sociedade sob o regime do capital faz com que você dependa exclusivamente do(s) seu(s) amor(es), o que denigre, em essência, o que o amor é.

O autocuidado é cuidar de si e cuidar de si é cuidar do outro. Uma definição (relativamente estável) de como pode se constituir a ética nas relações.

Quando você sente dor ou ciúmes no amor, isso não significa que você ame mais. Significa que você não está cuidando de si, da sua segurança emocional, do culto a sua própria solidão e construção do seu ser.

Nada pode ser tão forte que te fira e te cause angústia numa relação a dois, a três... O diálogo deve ser o rio por onde escorrem as palavras sinceras. A verdade nunca deve ser motivo para medo e insegurança.

Cuide de si.
Te amo.

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A instrução dos encontros

"O que faltou a Cláudia naquele instante parado no tempo foi o que sempre lhe faltaria: esse elementar instinto de defesa que disfarçamos sob o nome de razão. Há seres assim, irremediavelmente unos, incapazes de isolar partes dentro do seu próprio corpo e de as estruturar como castelos autônomos e armados."

Inês Pedrosa

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Transar ao som de Lauryn Hill

Apenas
num dia
de frio, suor.
num dia de chuva,
sal e suor
despretensiosamente,
numa quinta-feira
subir lentamente no corpo que me tolhe
um sobe e desce
sem  mesmo fim
sem nada que não seja
a respeito desses nós
atados
severamente livres e leves
na partida cotidiana,
aprendemos a deixar ir
sorrindo,
pelos nãos recebidos
pela conversa de canto
num vai e vem sem
volta
sonoros
porque de silêncio
já basta o tempo da recusa
agora é ida,
prepara!
somos a sós
pedaço de severa
sorte
num toque
uma pequena rota
de gozo suave
esvai-se em tempo,
morte.
e vai
só aquilo que for puro
o gosto sereno
do teu gozo gritado
junto ao meu fogo
intento
acalanto
na tarde daquela rede
que de minha só tinha a sede
e de tua
o glorioso retorno
da intensa
regida
visceral
saudosa
vida.